Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

360 graus

 

Paro. Por instantes senti-te aqui. Muito ao de leve, um aroma doce, um trago de ti. Rodo sobre mim de olhos abertos procurando a tua sombra em qualquer espaço visível mas não te encontro.
 
Encontro as folhas verdes das arvores que rodopiam ao sabor do vento e me levam até ti naquele momento em que dançavas deliciada ao sabor de uma musica que amas;
 
Encontro uma montra de objectos cujo objectivo a que se destinam me levam até ti pela admiração que tenho pelo teu trabalho, pela tua forma de agarrar a vida;
 
Encontro um calendário de onde saltam números que me transportam para momentos em que morri a amar-te em todos os instantes que passei ao teu lado para que depois docemente ressuscitasse no teu abraço;
 
Encontro um vento que me acaricia o rosto e logo me entrega o teu ar quente sobre a minha pele que me faz arrepiar a alma;
 
Encontro um cabelo poisado sobre a minha camisa que me recorda o momento em que nos abraçamos num lago de saudade até que o mesmo secasse sob nós;
 
Encontro a tua voz que me aprisiona em voluntariado. E Amor, tu sabes o quando adoro a tua voz, o timbre que cativa, a energia que emociona, a alegria que contagia. E a noção do tempo que se perde.
 
E as minhas pernas cedem. O meu sangue parece que parou só para te ver passar, instala-se uma estranha fraqueza que pede apoio e o coração dá um jeito de si. Suspira e solta o teu nome sobre mim que me cobre e me preenche, desde a pele até à alma.
 
Ainda parado me apercebo que nunca saíste daqui. Apenas te senti mais intensamente por um momento. A brisa do mar colhe mais alguns metros que passam por mim e novamente te sinto colada a mim. Entendo. Interiorizo. De olhos fechados agora rodo sobre mim à tua procura. E encontro-te no perfume que resta em mim e que sobrou do beijo doce da manhã. Suspiro. Expiro. Solto este ar que me devora de saudade e ao mesmo tempo me alimenta de ti.
 
E sorrio. Sorrio tantas vezes. Tantas vezes quantas as vezes em que uso as letras que constroem as palavras que te dizem o quanto eu gosto de ti. E por muito que as use, elas estão sempre novas.
 
À minha volta existe um mundo. Nesse mundo existes tu. E existes a partir de uma certeza, a certeza de que, em qualquer lugar que eu esteja, olhe para onde olhe, te veja sempre, a ti, o meu Amor.
publicado por jangadadecanela às 15:33
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38 comentários:
De Blue Eyes a 11 de Setembro de 2008 às 23:13
Boas, Luis!
Este está 5 ! Quando se anda habituado a ler poemas e se lê uma prosa tão sentida e sensual, a única coisa a dizer é: QUERO LER MAIS TEXTOS DESTES!!!
Desculpa ter levantado a voz, mas não é um protesto, é uma sugestão!
E brinde-se com um Cardhu!

Grande abraço e uma boa noite!

Ricardo
De jangadadecanela a 12 de Setembro de 2008 às 10:23
Viva Ricardo,

Sabes, para mim não interessa o formato, na base estão sentimentos... e eu não consigo escrever sobre o que de alguma forma não sinto ou senti... a vantagem da prosa é, para mim, o não ter que me preocupar com rimas ou palavras que encaixem umas nas outras... deixo apenas fluir o rio...

Viva o Cardhu, viva!

um grande abraço
Luís

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