Terça-feira, 1 de Abril de 2008

As pequenas grandes coisas da vida...

...

Embarcamos.

Sentámo-nos no convés, mesmo junto à agua, saboreando o vento de mãos dadas.

A viagem foi curta mas aprazivel, entre as pequenas ondas do rio que nos embalavam e as aves que nos escoltavam e protegiam do sol. Ficámos alí, agarrados um ao outro, eu atrás de ti e tu, com as costas no meu peito, as minhas mãos na tua barriga…

O barco parou, o passadiço abriu e prosseguimos viagem. Andamos mais 15km, junto ao mar. A determinada altura pedi para fechares os olhos.

Sorriste.

Puxaste o banco para trás, ficaste quase deitada. Fechaste os olhos.

Apontei o carro em direcção à serra e sentiste que começamos a subir. Ias-me descrevendo o que pensavas que estava a acontecer. Estavas impaciente... Pedi-te mais um pouco de paciência. Finalmente sentiste o carrro parar. Saí do carro, abri a tua porta, peguei nas tuas mãos.

Sentiste o vento tocar a tua face, um vento frio de montanha. Coloquei uma manta pelas tuas costas, juntei as pontas junto à tua barriga. Andamos uns passos, sentei-te numa pedra.

Enquanto mantinhas os olhos fechados tive a oportunidade de tomar mais uma vez conhecimento dos pormenores da tua face, que me pareciam cada vez mais bonitos. Meu Deus, como te amo, pensei...

Agarrei as tuas mãos aquecendo-as nas minhas e disse-te ao ouvido... "abre os olhos..."

 

Estavas no alto da serra...

À tua frente estava a imensidão do azul do mar, em baixo como se estivesse subjugado aos teus pés.

A separar a serra do mar apenas uma pequena vila, ao fundo.

À nossa frente uma ave pairava contra o vento, imobilizada no ar.

Sentimo-nos grandes num sitio assim.

A tarde estava a desaparecer, o sol ia descendo as escadas de sua casa em direcção ao seu quarto onde iria repousar. A sua irmã, a Lua, cruzou-se com ele ao mesmo tempo que passavam o testemunho da vigilia que constantemente fazem por nós.

Enrolados naquela manta ali ficamos a presenciar este render da guarda, este adormecer do Sol na cama do Mar...

publicado por jangadadecanela às 13:32
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2 comentários:
De MARIA a 1 de Abril de 2008 às 14:26
UMA HISTÓRIA MUITO BONITA, COMO SEMPRE! E DEU PARA SENTIR A SENSAÇÃO DE IMENSIDÃO, BELEZA, PAZ E FELICIDADE IMENSA DAS PERSONAGENS.
E PODE SER UMA FRASE FEITA, MAS REALMENTE AS MELHORES COISAS DA VIDA SÃO AS MAIS SIMPLES E NÃO ESTÃO À VENDA NAS LOJAS.
BOA SEMANA!
De jangadadecanela a 1 de Abril de 2008 às 18:58
é verdade, pena que estejam mais tempo no nosso imaginário do que na realidade... mas por poucas que sejam são sempre excelentes.

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